- PREGAÇÃO BÍBLICA – O QUE É ISTO?
O
que é pregação bíblica? Não basta ler um texto e falar sobre ele para
se dizer que houve pregação bíblica. Jerry Key falou, em uma aula, de
pregador tipo Cristóvão Colombo. Saiu sem saber para onde ia, por onde
andou nunca soube, e quando chegou não sabia aonde tinha chegado.
Há
muito blábláblá, muito personalismo e desperdício de tempo, em nome da
pregação bíblica. Para definir o que é pregação bíblica leio Neemias
8.8: “Leram o Livro da Lei de Deus, interpretando-o e explicando-o, a
fim de que o povo entendesse o que estava sendo lido”. Pregar é ler a
Palavra, interpretar e dar o sentido para que o povo entenda o que está
escrito. A Palavra é a fonte, a Palavra
é
a matéria, e o conhecimento da Palavra é a finalidade. Isto traz grande
proveito para o povo, como lemos em Neemias 8.12: “Então todo o povo
saiu para comer, beber, repartir com os que nada tinham preparado e para
celebrar com grande alegria, pois agora compreendiam as palavras que
lhes foram explicadas”. A pregação bíblica muda a vida dos ouvintes.
Como conseguir isto?
Em
primeiro lugar, isto começa com uma questão de postura. O pregador deve
amar, respeitar e valorizar a Palavra de Deus. Isto parece ser chuva no
molhado, mas quero me fixar aqui.
É
mais que usar a Bíblia. Usar todo mundo usa. Testemunhas de Jeová,
mórmons, adeptos da teologia da libertação, todos usam. O pregador da
Bíblia deve se envolver com a Bíblia. Deve ser o livro mais lido, mais
amado e mais respeitado por ele. Não é onde ele vai buscar sermão. É
onde ele busca alimento para si. O pastor deve fugir da leitura
profissional da Bíblia, aquela leitura feita para arranjar mensagem para
o povo. Pobre da igreja cujo pastor só lê a Bíblia em busca de sermão.
Os sermões que ela ouvirá serão medíocres. A única maneira proveitosa de
lê-la é com fome. Quando o pastor tem fome da Bíblia e mostra isso, o
povo passa a ter fome da Bíblia. O rebanho nunca será melhor que o
pastor. Nunca amará mais a Jesus que o pastor. Nunca terá mais interesse
pela Bíblia que o pastor. Eis a postura: amar, respeitar e valoriza a
Bíblia. Cabe aqui a frase de Al Martin: “o solo onde medra a pregação
poderosa é a vida do pregador” (3)MARTIN, AL. O Que Há de Errado com a
Pregação de Hoje?. S. Paulo: Editora Fiel, s/d, p. 7.
Em
segundo lugar, indo à Bíblia, o pregador deve fugir da idéia, que
grassa em nosso meio, de que deve ser original, espetaculoso, para ser
bom pregador. De encontrar nas Escrituras o que nunca alguém encontrou
em 2.000 anos de estudo da Palavra de Deus. O foco deve ser a Palavra e
não o pregador. Quando o pregador aparece mais do que a Palavra é para
se ficar alerta. E se algum de nós aparece muito, no púlpito, mais que a
verdade que pregamos, confessemos o pecado de querer tomar o lugar do
que é Divino. Devemos pregar o arroz com feijão, porque o arroz com
feijão mantiveram a igreja em pé por séculos. No templo da PIB de Nova
Odessa, em S. Paulo, está pintado o texto de 1Coríntios 1.23: Bet mês
sludinam Kristu krusta sisto (Mas nós pregamos a Cristo crucificado).
Que lembrança! E que saudades do tempo em que nossa marca maior eram os versículos bíblicos pintados nas paredes dos templos, e não as caixas de som!
Em
terceiro lugar, o pregador deve fugir da insidiosa idéia de usar a
Bíblia para subsidiar seus conceitos pessoais ou dar suporte ao seu
ministério. Lembro-me de um colega de seminário dizendo: “Isaltino,
preparei um sermão para arrebentar! Expus todos os problemas da igreja!
Só preciso de um texto bíblico agora!”. Ele não tinha um sermão. Tinha
uma lista de desaforos que queria dizer ao povo. Sobre a atitude deste
colega, eu diria: “Pregue com amor!”. Mesmo a repreensão, faça-a com
amor. Mesmo machucado, faça com amor. Lembre-se de 1Coríntios 16.14:
“Façam tudo com amor”. Não se pode ter uma pregação bíblica com um
coração iracundo ou ressentido. Pregar a Bíblia é mais que técnica. É
alma. Lembro uma citação de James Stewart: “A pregação não existe para a
propagação de idéias, opiniões e ideais, mas para a proclamação dos
poderosos atos de Deus” (4).
Em
quarto lugar, o pregador, que se aproximou da Bíblia com seriedade, e a
estudou com seriedade, prega a mensagem com seriedade. Boa parte dos
pregadores tem o hábito de começar com uma piada para, segundo eles,
“quebrar o gelo”. Parece que alguns moram na Sibéria porque há muito
gelo e muita piada. Humor é uma coisa. Pândega é outra. Volto a Al
Martin:
Ninguém
pode ser, ao mesmo tempo, um palhaço e um profeta (…) Isso não quer
dizer que não devamos ser autenticamente humanos, e que a habilidade
natural de rir envolva qualquer elemento de pecaminosidade, ou que fosse
pecaminosa a alegria natural que se deriva de um riso que procede do
fundo do coração. Entretanto, o esforço desnatural de certos pregadores
para serem “contadores de piada”, entre a nossa gente, constitui uma
tendência que precisa acabar (5).
Em
quinto lugar, a pregação não pode ser um item a mais na ordem do culto.
O pessoal de música fica zangado quando se diz que a pregação é o
momento mais importante do culto. “Isto quer dizer que o resto não valeu
nada?”, é a pergunta feita. Não se deve por na boca dos outros palavras
que eles não disseram. É o momento mais importante do culto, mas não o
único importante. Nos cânticos, falamos a Deus. Nas orações, falamos a
Deus. Na pregação, Deus nos fala. Ouvir Deus é mais importante que falar
a Deus. Ele nos conhece sem que haja uma palavra em nossa boca (Sl
139.4). Mas nós não o conhecemos tanto assim. E foi pela loucura da
pregação que ele escolheu salvar o mundo (1Co 1.21), não pela loucura do
louvor. Permitam-me compartilhar uma experiência vivida no Cambuí.
Tenho o privilégio de pastorear a igreja pelo sexto ano. Nosso carro
chefe são os cultos. São motivo de oração e de entrosamento de todas as
partes. Publico no
boletim
os temas e os textos das mensagens do domingo seguinte. Todas as
leituras, todos os hinos e as mensagens musicais devem se relacionar com
o assunto. Tudo caminha junto, na mesma direção, e assim a pregação se
torna o clímax de um culto organizado. Tudo é importante, mas o momento
climáxico, a pregação, se beneficiou das outras partes. A grande
vantagem é que o culto
passa a orbitar, em termos de conteúdo, ao redor da Bíblia. Vejam o anexo 1, nesta apostila.
(A)Pastor
Jerry Key foi professor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil
por 35 anos e também do então Instituto Batista de Educação Religiosa –
IBER (hoje Centro Integrado de Educação e Missões – CIEM) por 25 anos.
Desta forma, pastor Jerry Key marcou toda uma geração de pastores,
educadoras cristãs e missionárias
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